"Hello, Darkness, My Old Friend".
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sábado, 7 de maio de 2011

Beleza.

Você pensa que eu acho bonito agarrar o computador (aliás, com muita dificuldade) e caminhar uns dois quilômetros, morrendo de calor e cansaço, ouvindo os gracejos dos peões nas ruas?

Pois saiba que eu não acho nada bonita essa atitude. Sem um pingo de glamour mesmo.

Mas foi o que eu tive que fazer. Meu computador foi infectado por um vírus para o qual eu não conseguia achar remédio. Aí, a única alternativa que me restou foi pegar a CPU e sair desesperada pelas ruas. (Dramático, não? Devia ter chamado o SAMU!).

Acontece que eu tenho um PREX para fazer! Não posso ficar desconectada nem um dia! Na quarta-feira, quando o problema surgiu, eu quase não consegui dormir e fiz as mais absurdas considerações a respeito do tal vírus e de suas consequências.

Sou exagerada, sou imediatista, acho que terei um surto antes do final do ano.

Na quinta feira de manhã, tentei ligar para um técnico que eu já conheço. Não consegui e fiz mais umas quinhentas tentativas, todas falhadas. Então, peguei o computador e saí loucamente à procura de uma lan house perto da casa da minha vó, onde fazem este tipo de serviço. Descobri que a fonte precisava ser trocada, também. E que o ideal seria uma formatação. Pensei rapidamente em quanto tudo aquilo ia me custar e pedi o trabalho completo. Voltei pra casa enjoada, com vontade de chorar, a cabeça latejando incrivelmente.

Um cavalo galopava desenfreado sobre o meu cérebro.

Ontem, fui buscar o computador. Está novo em folha. Minha biblioteca de músicas, conquistada à custa de muito trabalho, já não existe. Bem feito, não custa nada gravar em um pen drive. Estou um pouco melhor. A dor de cabeça não passou, o enjoo também não. E eu lembro intermitentemente desta passagem com Helene Amundsen e sua filha, a protagonista de "O Mundo de Sofia", durante uma tempestade:

"- O que está acontecendo comosco, minha filha?
- Não sei, respondeu Sofia. É como viver um pesadelo".

Eu também não sei o que está acontecendo comigo. E essa tempestade simboliza muito para mim.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quase.

É um Blog destinado a tratar só de um assunto: o PREX (juro que nunca mais vou querer ouvir o som desta quatro letras quando terminar esta tarefa). Mesmo assim, eu nunca mais falei do trabalho propriamente dito. Logo, vocês podem concluir que eu estou mais tranquila.

- Mais tranquila?

(Hesito; gaguejo):

- É, quase.

Para ser franca, esta semana foi uma das mais sossegadas, desde o início das atividades relacionadas ao Projeto. Sei que podia adiantar o quanto possível algumas etapas, ler algumas matérias relacionadas ao assunto, enfim. Mas, entendam: EU PRECISO SABOREAR A TRANQUILIDADE! Nem imaginava que ainda fosse capaz de ter essa sensação.

Aproveitei esses últimos sete dias para ler Tieta do Agreste - Pastora de Cabras. Fiquei muito triste. Santana do Agreste (cidadezinha do litoral baiano onde é passada a narrativa) me relembrou a beleza incomparável da vida no interior nordestino. Beleza que eu não vou tentar descrever por um só motivo: tal descrição é impossível, ninguém pode se atrever a falar sobre este assunto através de simples artigo, é sandice.
Mas, se quiser saber, pegue suas tralhas e corra pra lá, saberá qual é o nó que subjuga língua e pensamento e impede a descrição precisa dos aspectos daquela terra.

(Sim, sim, sou uma provinciana e disso muito me orgulho).

Pois é, esta semana eu me empenhei para ficar despreocupada - esforço que, naturalmente, já descaracteriza a minha suposta tranquilidade.
Nem as provas atrapalharam minha beatitude. Nunca estudei para nenhuma prova e não foi desta vez que violei esta regra que sigo cegamente, é uma das poucas.
Mas, ao menos, resolvi dezenas de palavras cruzadas, fui ao cinema, dei muita risada com tia Ângela e com Ricardo, comecei a leitura do primeiro tomo de "Os Irmãos Karamázov" e acordei tarde todos os dias.
Por falar nisso:

Trrrrm, trrrrmm, trrrrrrrrmmm... "slip inside the eye of your mind"...

Acordo devagar, estava tão bom o meu sonho! Que, na certa, era com alguma gulodice - emagrecer é terrível. Atendo:

- Ooooi, Pai!
(disfarço, mas sei que ele vai perceber a voz de sono).

- Faaaala, Nega! Dormindo?

Mesmo com todos esses quilômetros de distância, sinto o ar de gozação dele. São quase dez horas da manhã. Fico com vergonha de confessar minha vagabundagem e respondo, reticente:

- Ééé, mais ou menos.

- Nega safada!
(assim disse Pai, e deu sua risada irresistível).



É, "amanhã é outro dia!", já falava o açougueiro (coincidência?) de um livro delicioso do Domingos Pellegrini.
E eu concordo.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Serão.

Até que demorou. Mas essa foi a minha primeira noite varada por conta do PREX. Conversei com o meu contato da empresa que teremos como cliente (me sinto uma mulher de negócios falando assim, vou até repetir: Conversei com o meu contato da empresa que teremos como cliente) e cheguei em casa com milhões de idéias, coisas para lembrar, tópicos a escrever, dentro da minha cabeça se formava uma tempestade que ameaçava sair pelos meus olhos de pálpebras exaustas.
Quando amanheceu, eu ainda não tinha terminado. Às dez da manhã, cliquei em Salvar e fui até a padaria, com roupas e cabelos de ontem, uns e outros desarranjados e amassados. Os olhos imploravam para se fechar a qualquer pretexto. Ainda assim, o homem, tranquilamente sentado no seu degrau, disse:

- Carinha de cansada.

E eu devia mesmo estar péssima: mais além, na rua, a menina ainda de colo me apontou para a mãe e disse:

- Au-au.

Infâmia, me confundiu com um cachorro. Essas crianças de hoje não respeitam nenhuma circunstância.
Voltei para casa, tomei café e fiquei pensando. Como já fazia, tempos atrás, um poeta retado.

(Parêntesis: "- Carinha de cansada", o homem disse. Eu ri para ele, de surpresa e cansaço. Nessa rua, todos os homens de certa idade vivem querendo puxar conversa comigo.
Esse "de certa idade" designa modestamente esses tipos que por aí se chamam "tiozinhos" - esses indivíduos enxergam em mim alguma coisa que os mais jovens não percebem - afinal, a criança me confundiu com um cachorro, prova irrefutável de que a minha simpatia aumenta proporcionalmente à idade do meu observador).


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pensei.

Estava ali no quarto, trocando de roupa, e pensei:

- Quando era melhor? No começo do curso ou agora?

No primeiro semestre, eu tinha poucas preocupações, poucos trabalhos, a vida corria mansa. Em compensação, parecia que o quarto ano ainda ia demorar uma eternidade, eu me impacientava, chorava, contava os dias que faltavam para as férias. Ao menos, eu sabia que ia ter férias.

Agora, eu estou no quarto ano. Não vou mentir que passou rápido, pelo contrário - os dias se arrastavam, eram meses. Não lembro dos períodos com exatidão - os meus marcadores de tempo eram os livros que eu lia e os CD's de que estava gostando.
As preocupações, as angústias, a quantidade esmagadora de trabalhos - nada disso me afligia nos primeiros meses de aula, agora me consome incansavelmente, não me deixa ler em paz, não tenho tempo para procurar os CD's que queria. E eu nem sei se vou ter férias.

Mas é o penúltimo semestre - já é um consolo. O curso está perto do fim, mesmo que meu PREX seja reprovado (sou pessimista para comigo mesma, sou e pronto).

E eu me decidi. É melhor agora. Seja para sorrisos ou lágrimas, alegrias ou decepções, que acabe logo. É só o que eu peço.

sábado, 9 de abril de 2011

Telefonia II

Quase na entrada da faculdade, os primeiros acordes de Shiver me sobressaltam.
- Oi, Mã.
(Não escrevi errado, não. É assim mesmo que eu falo).
- Oi, Mãe, que nada! É "Oi, Pai!".
- Ooooooii, Pai!
(Assumo que eu vivo chamando Mãe de Pai e Pai de Mãe, mas, desta vez, a culpa não foi minha: ele nunca me liga daquele telefone e nunca está em casa neste horário).
- Tudo bom, Nega?
- Tudo, Pai. E você? E a viagem?
- Foi boa. E minha filha?
(A insistência dos pais...)
- Estou bem, Pai, não precisa se preocupar.
(Minto descaradamente, sou uma ruína humana).

Trocamos mais algumas palavras.
Sei que Mãe está do lado dele prestes a lhe tomar o telefone. Ele decide passar para ela de uma vez:
- Fala aqui com sua Mãe.
- Oi, Mã.
- Oi, minha filha! Só queria te dizer que você é a filha mais amada do mundo, uma graça de Nossa Senhora, minha ninfa morena.
(Ninfa morena, às vezes ela me chama assim. Eu sei que é ridículo, não levem a mal).
Reflito que, qualquer dia, minha mãe vai entrar pelo telefone adentro. Tanta dedicação me comove. Não quero estragar o rímel, deu muito trabalho passar.
Fico na dúvida se peço a Melissa nova, resolvo pedir depois. Desista, PREX, não vou deixar de ser consumista por sua causa.

- Obrigada, Mã. Também amo você.
- Era só isso que eu queria te dizer. Boa aula.
- Tchal, Mãe.


Fiquei imaginando a cena:
(Minha Mãe, desligando o telefone, olhando para o céu tão claro que chega a doer a vista): Meu Deus, proteja minha filha!
(Meu Pai, olhando de esguelha, contrariado): Você nem me deixa falar com a menina!
Mãe olha para ele, suspira e entra em casa. Pai se encaminha lentamente para a rede, o piso do alpendre refletindo os últimos raios alaranjados do pôr-do-sol. Na copa das árvores, os passarinhos cantam desesperadamente.

Eu subo as escadas, avanço para as catracas. Hoje é sexta-feira, Amém!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Conversa.

Leitores! (Claro que é apenas uma hipótese. Não sei se tenho leitores).
Há dias, reuni a coragem que julguei suficiente para ir falar com meu coordenador. Como veremos, a miséria de coragem que eu juntei não deu pra nada. Cheguei à faculdade e caminhei até a sala dele, desejando uma só coisa - algo incerto que continuo desconhecendo.
Eu tencionava ter uma conversa normal. Já tinha feito o script). Mas a verdade é que eu afrouxei. Quem diria, hein? Na frente do meu coordenador!
O quanto me permitiam os soluços e aquela coisa ruim na garganta, falei sobre as minhas dúvidas, a chateação, a ansiedade e, maior do que tudo, tragando tudo, o medo. O medo do PREX.
Não me venha dizer que eu só preciso dar o melhor de mim e ficar sossegada. SOSSEGO? Eu não quero ouvir falar em sossego! Prefiro motivos mais condizentes com a minha situação - as pragas do Egito, o choro e o ranger de dentes do Juízo Final, as provações de Jó, a miséria de Lázaro, a dor de Marta e Maria pela morte do irmão (quantas evocações bíblicas! Recentemente, li "Caim", de José Saramago, e "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiévski. Está explicado).
Meu coordenador me ouviu com paciência, sabendo que o meu problema era macroambiental (finalmente, um termo técnico!). Ser reprovada é um risco que você corre desde que começou a estudar, ele me replicou, e não deve se apegar a isto.
- Você não sabe lidar com a perda, é fato. E está canalizando todas as suas expectativas para o PREX.
Olhei rapidamente para ele, sem poder enxergar direito através dos olhos anuviados. Queria ter dito "Parabéns, professor. Sua conclusão foi precisa". Mas não queria me expor mais, o choro, a confissão da fraqueza, a exposição da minhas misérias (mesmo para uma figura a quem eu sei que devo satisfações) já me pareciam suficientes. Além disso, eu não conseguia segurar as lágrimas, não sei de onde tirei tantas. Depois, ele fez surgir um saco balas de goma e me obrigou a aceitá-las. Não sei como me atrevi: choro - copiosamente - as pitangas para o indivíduo (que, aliás, nada tem a ver com as benditas pitangas), e, de uma hora pra outra, tomo liberdades assim, pergunto se ele também gosta de balas de goma, subtraio do pacote só as minhas preferidas, mastigo-as com as lágrimas retardatárias ainda caindo dos olhos. Estou visivelmente desequilibrada.
Para encerrar o relato, quero registrar que meu coordenador, ciente do meu drama, disse que, se eu continuar assim, ele será obrigado a me reprovar. Se eu aprovo seu trabalho, disse, sua vida vai perder o sentido. Nesse momento, eu, que já havia mesmo perdido toda a compostura diante das balas de goma, me permiti uma risada discreta.
Confesso que, depois desta conversa, fiquei mais aliviada. Só um pouco - eu não me permito tranqüilidade.
Voltei a roer vorazmente as unhas. Deixei de escovar o cabelo. Não queria deixar de ser consumista, mas temo que também este hábito seja tragado pelo PREX. Há dias não abro as newsletters da Loja Melissa e sequer fui até a MOP ver os modelos que já estão na pré-venda.
Queria poder avançar no tempo e saber até quando esta angústia vai durar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sono ou Insone?

Leitores! (Partindo do pressuposto de que vocês existam).
Quem diria, hein? Estou mesmo levando o Blog a sério. O que, aliás, é bem compreensível, já que o assunto tratado possui, para mim, uma importância sem tamanho.
Às vezes me pergunto se existem, nos outros grupos, pessoas como eu - o PREX ainda na fase embrionária, e elas aos prantos, imaginando se conseguirão se formar algum dia.
Mais uma vez, vou me falar diretamente para quem não sabe ainda por onde começar. Sei que não vou conseguir impedi-los de sofrer só com a ajuda destas palavras. Ninguém conseguiu me consolar nos meus dias de expiação, também. Por isso, quero apenas fazer um apelo a quem já pegou a corda e está por aí, perambulando, à procura do galho ideal para dar cabo da situação. (Eu também estava com a corda na mão, vagando, e ainda com barbitúricos, para me garantir contra uma possível falha da corda).
Foi assim, prestes a tomar a decisão fatídica, que eu pensei no quanto seria bom se eu conseguisse chegar até o final, alcançar esse objetivo (que pode parecer tão pequeno), testemunhar o sucesso da minha turma e, com um milagre, até o meu próprio êxito. Confesso que pensar nisso só me fez chorar ainda mais. E foi aí que algo fez a corda se romper, quando eu já tinha posto o laço no pescoço e pulado. Assim, na última hora.
Eu estava prestes a choramingar e arrastar minha humilhação e minha derrota na frente de quem quisesse ver - logo eu, que nunca permiti que ninguém notasse o quanto eu estava despedaçada.
Não vou dar detalhes sobre o rompimento da corda e o que causou a mudança da minha trajetória. O expedicionário teme por suas descobertas. Eu só digo uma coisa: se você, formando em Publicidade, não precisa, obrigatoriamente, fazer um PREX com o rigor que os meus professores exigem, sinta-se aliviado: você não terá a obrigação intransferível de ser exato e criterioso. Mas, mesmo assim, se entregue.
Nunca sejam como eu, por favor. Eu me entrego milhares de vezes mais do que o necessário. Mas façam sempre o seu melhor. Lembrem que o seu conhecimento terá a chance de ser aplicado, testado, corrigido e que você carregará esta experiência para sempre. Percebem a grandeza de um PREX? Não, né? Deixa pra lá.
Preciso começar a escrever menos, do jeito que está indo eu vou assustar os leitores.
Para encerrar este artigo, registro que, na quinta feira, vou chegar em casa e não vou conseguir dormir (o que não é novidade, desde o início deste PREX). Mas, desta vez, será de expectativa: na quinta, entregaremos nosso Pré Projeto.
Os dias voam, não chegam para pôr termo às inúmeras tarefas que se amontoam. Mas, quando olho para o calendário, tenho a sensação de que terei que esperar séculos até as férias. Até poder abraçar minha mãe e meu pai, que me farão dormir sossegada por alguns dias. A Deus querer, como se diz no Nordeste.

Novos Olhos

Hoje, quando cheguei à Faculdade, fui para a Biblioteca ler uns versos do Fernando Pessoa (um dos meus poetas preferidos, nem podia ser diferente). Li e reli poemas de que eu já gostava há muito tempo, aos quais, desta vez, consegui emprestar nova significação. Estou passando por tanta coisa... Tinha razão o filósofo quando disse que não se entre duas vezes no mesmo rio. Li isso em "O Mundo de Sofia", nas últimas férias. Só agora entendi realmente.
Mas o que eu queria dizer era que, na Biblioteca, conversei um minutinho, quase em camaradagem, com a atendente. Elogiei o novo corte de cabelo dela. Justo eu, que sou tão fechada. Que procuro sempre ocupar o mínimo possível do espaço dos outros, desejando apenas que ninguém se insinue no meu. Também nisso sou egoísta.
E, como eu ia dizendo, conversamos, a atendente e eu. Depois das minhas últimas provações, eu me preocupo com as pessoas. Zelo por elas. Sorrio, mesmo no aperto das conduções, na pressa das ruas. Agora eu sei muito bem o que é ter a certeza de que ninguém está nem aí para os seus problemas. Que ninguém está disposto a te ajudar, pois todos têm mais o que fazer da vida.
Enquanto a atendente falava do cabelo novo, eu me dei conta de que ela sempre havia sido tão simpática comigo! Quando a máquina lia minha carteirinha e meu registro aparecia na tela, ela me chamava pelo nome, sempre sorrindo, prestativa. Eu, a secura de sempre. (Reconheço, mãe!). Hoje, depois de longos períodos tendo a honra (agora eu sei disso) de ser atendida pela bibliotecária, conversei com ela pela primeira vez. Só um minutinho, claro, o trabalho dela não permitia mais.
E essa prosa tão curta fez uma diferença substancial no meu dia. Nunca tinha me ocorrido que gestos assim pequenos (desculpem pelo clichê, é inevitável) fazem tanta diferença. É dentro de cada um que todas as mudanças devem começar. Foi preciso esbarrar no PREX, tremer de medo e aflição, roer as unhas e chorar (não o choro simples, e sim aquele choro que dói) para perceber que eu estava deixando de aprender coisas importantes que não constavam da minha matriz curricular.
Eu já disse que não sou mais a mesma pessoa?

domingo, 27 de março de 2011

Preocupações e Pesadelos.

É, eu achava que esta hora ia demorar. Achava que eu ia saber o que fazer, já que para isso estudei arduamente nos três anos anteriores. No entanto, estou aqui, meio desesperada.
PREX - Projeto Experimental - é o nome do trabalho que os estudantes de Publicidade e Propaganda precisam desenvolver durante o último ano acadêmico. E chegou a minha vez.
É daí que vem esse aperto no meu peito, a vontade quase ininterrupta de chorar, o medo. Essa é a primeira semana de trabalho concreto. Por milagre (única explicação plausível), consegui um contato na empresa que escolhemos como cliente. Antes de conseguir este elo (imprescindível, por sinal), eu já vinha tendo pesadelos contínuos sobre o futuro da minha equipe.
Não estou fazendo drama. Não vou conseguir ser precisa na explicação. Só quem já passou (ou está passando) pelo mesmo momento que eu sabe das dificuldades que é preciso enfrentar. Como chegar até as empresas alegando que é estudante, que vai precisar de esclarecimentos a respeito de informações organizacionais que, na maioria das vezes, são secretas? Mesmo estando do lado desfavorecido, consigo entender que as corporações não poderiam nos receber com um tapete vermelho e uma coroa de louros. Afinal, chegamos até eles portando, apenas, a esperança, e inquirindo descaradamente sobre dados confidenciais! Como eu esperava ser recebida?
Sinceramente, eu esperava apenas ser atendida. Perceber um pouco de interesse ou de atenção. Mas, na minha empreitada, não obtive nada disso. Aliás, me senti humilhada como poucas vezes na vida. Além de humilhação, o que mais me restava sentir, sabendo que nenhuma daquelas pessoas, do outro lado da linha ou da tela, se incomodava com o meu desespero, a minha súplica, o meu trabalho inteiro por realizar, o meu ano letivo em vias de ser desperdiçado?
E, em todas as vezes, eu fiz o que me restava. Desliguei o telefone, fechei o email, fechei o quarto e chorei, desesperada, com a certeza de que eu não tinha quase ninguém com quem contar e que os meus professores não tinham nada a ver com isso. Eu tinha prazos e era meu dever cumpri-los. Mas, como? Eu não tinha apoio nenhum e sequer enxergava mais a salvação.
Que apareceu, aliás. Quer dizer, pelo menos é o que parece, e Deus permita que eu não esteja enganada desta vez.
Falo assim porque conheço que não sou mais a mesma pessoa depois dessas investidas. Minha mãe sempre diz que eu levo tudo a sério demais, que eu me desgasto demais, me preocupo e sofro demais. Tudo isso é verdade. Aprendi nos últimos tempos que os pais sempre têm razão. Enfim, quando a dor é muita, minha visão se altera. No auge da aflição, eu tenho a certeza de que nunca mais o mundo será o mesmo. O sofrimento fica pra sempre em mim, é uma lente que condiciona o que está ao meu redor.
Muitos vão dizer que é só um trabalho, que, em último (e inimaginável) caso, eu seria reprovada e teria que fazer tudo de novo, só isso. Eu também gostaria de pensar assim. Mas não consigo. Este PREX vale a minha formatura, no final do ano. Vale a conclusão de uma etapa fundamental da minha vida, vale a certeza de que eu aprendi o que devia aprender nos anos anteriores e que eu sou, sim, capaz de colocar em prática todos os conceitos que absorvi em todas essas aulas. Não vai ser agora que eu vou frustrar tanto a mim mesma e aos meus.
Sei que esse trabalho não vai se definir à custa das minhas lágrimas. Elas são só um desabafo, um dos poucos que eu tenho. Não possuindo minha mãe e meu pai aqui, relegada aos cuidados de uma família que eu evito preocupar, não contei a ninguém sobre esse meu problema. Além do mais, eu não deixo que ninguém veja as minhas fraquezas. Mas, na realidade, eu estou morrendo de medo. Como nunca senti nesses quase vinte anos de vida.
Essa é a razão deste Blog. Se você tiver paciência, visite. Dê-me a honra. Antecipo que eu não vou ensinar como elaborar uma Campanha, mas, com sorte, posso confortar um pouco aqueles que também choram, praguejam, passam noites insones, desesperam da vida e pensam que tudo vai se perder. Eu também sou assim. Não ofereço garantias de que as coisas vão dar certo. Mas, com o Diário de um PREX, afirmo para todos (sobretudo para mim mesma) que a vida continua. E, há três ou quatro dias, eu achava que não.
Até a próxima postagem.