"Hello, Darkness, My Old Friend".
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de abril de 2011

Convite.

- Mãe, parece que tudo dá errado.

Ela já disse as coisas de sempre. Que eu levo a sério demais, sofro sem necessidade, perco muito cedo as esperanças de um final feliz. E ela tem razão.

- Você sabe que consegue, minha filha. Nada nunca deu errado para você.
- E se dessa vez for diferente?

Um breve silêncio.

- Pega suas coisas e vem pra casa.

Surpresa congestiona o fluxo de palavras na minha garganta. De tantas que eu queria dizer, não saiu nenhuma.

- Se você não quer passar por isso, Leilinha, você não precisa.

Consigo desatar o nó, a custo.

- Mãe! Não posso largar tudo por medo de não conseguir fazer um trabalho bom! Nunca!
- Então, você já sabe o que fazer.

Sei, Mãe. Agora eu sei.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Telefonia

Trrrrrrrm, trrrrrrrrrrm, trrrrrrrrrm.

Desperto atordoada na penumbra do quarto e me dou conta do celular vibrando sobre a mesinha de cabeceira.
-Droga de celular, qualquer dia me mata de susto.
Atendo:
-Oi, Mãezinha.
Do outro lado, a preocupação esfuziante da minha mãe:
-Bom dia, minha filha! Como é que está indo seu trabalho? Você está melhor? Mais calma? Está se alimentando direito? Você sabe o quanto sua mãe fica preocupada quando...
Preocupações despencam como uma tempestade na minha cabeça. Corto:
-Mãe, não quero mais falar sobre esse assunto.

Aconchegada no meu travesseirinho surrupiado da TAM, me preparo para submergir em mais um sono agitado e sem sonhos, desses que agora me reviram as noites, quando recebo mensagem de pai:

"Oi, Nega. Estou me organizando para ir aí te dar um abraço".
Começo a chorar antes de poder responder:

"Pai, não ouse chegar aqui sem trazer doce de leite. Já pedi para mãe fazer. Vou te esperar no aeroporto com uma colher na mão. E também já decidi o que vou querer de presente".
Se meu pai não viesse, talvez eu nem me lembrasse que o meu aniversário já é dia quatro. Será que esse trabalho termina um dia, meu Deus?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sono ou Insone?

Leitores! (Partindo do pressuposto de que vocês existam).
Quem diria, hein? Estou mesmo levando o Blog a sério. O que, aliás, é bem compreensível, já que o assunto tratado possui, para mim, uma importância sem tamanho.
Às vezes me pergunto se existem, nos outros grupos, pessoas como eu - o PREX ainda na fase embrionária, e elas aos prantos, imaginando se conseguirão se formar algum dia.
Mais uma vez, vou me falar diretamente para quem não sabe ainda por onde começar. Sei que não vou conseguir impedi-los de sofrer só com a ajuda destas palavras. Ninguém conseguiu me consolar nos meus dias de expiação, também. Por isso, quero apenas fazer um apelo a quem já pegou a corda e está por aí, perambulando, à procura do galho ideal para dar cabo da situação. (Eu também estava com a corda na mão, vagando, e ainda com barbitúricos, para me garantir contra uma possível falha da corda).
Foi assim, prestes a tomar a decisão fatídica, que eu pensei no quanto seria bom se eu conseguisse chegar até o final, alcançar esse objetivo (que pode parecer tão pequeno), testemunhar o sucesso da minha turma e, com um milagre, até o meu próprio êxito. Confesso que pensar nisso só me fez chorar ainda mais. E foi aí que algo fez a corda se romper, quando eu já tinha posto o laço no pescoço e pulado. Assim, na última hora.
Eu estava prestes a choramingar e arrastar minha humilhação e minha derrota na frente de quem quisesse ver - logo eu, que nunca permiti que ninguém notasse o quanto eu estava despedaçada.
Não vou dar detalhes sobre o rompimento da corda e o que causou a mudança da minha trajetória. O expedicionário teme por suas descobertas. Eu só digo uma coisa: se você, formando em Publicidade, não precisa, obrigatoriamente, fazer um PREX com o rigor que os meus professores exigem, sinta-se aliviado: você não terá a obrigação intransferível de ser exato e criterioso. Mas, mesmo assim, se entregue.
Nunca sejam como eu, por favor. Eu me entrego milhares de vezes mais do que o necessário. Mas façam sempre o seu melhor. Lembrem que o seu conhecimento terá a chance de ser aplicado, testado, corrigido e que você carregará esta experiência para sempre. Percebem a grandeza de um PREX? Não, né? Deixa pra lá.
Preciso começar a escrever menos, do jeito que está indo eu vou assustar os leitores.
Para encerrar este artigo, registro que, na quinta feira, vou chegar em casa e não vou conseguir dormir (o que não é novidade, desde o início deste PREX). Mas, desta vez, será de expectativa: na quinta, entregaremos nosso Pré Projeto.
Os dias voam, não chegam para pôr termo às inúmeras tarefas que se amontoam. Mas, quando olho para o calendário, tenho a sensação de que terei que esperar séculos até as férias. Até poder abraçar minha mãe e meu pai, que me farão dormir sossegada por alguns dias. A Deus querer, como se diz no Nordeste.

domingo, 27 de março de 2011

Preocupações e Pesadelos.

É, eu achava que esta hora ia demorar. Achava que eu ia saber o que fazer, já que para isso estudei arduamente nos três anos anteriores. No entanto, estou aqui, meio desesperada.
PREX - Projeto Experimental - é o nome do trabalho que os estudantes de Publicidade e Propaganda precisam desenvolver durante o último ano acadêmico. E chegou a minha vez.
É daí que vem esse aperto no meu peito, a vontade quase ininterrupta de chorar, o medo. Essa é a primeira semana de trabalho concreto. Por milagre (única explicação plausível), consegui um contato na empresa que escolhemos como cliente. Antes de conseguir este elo (imprescindível, por sinal), eu já vinha tendo pesadelos contínuos sobre o futuro da minha equipe.
Não estou fazendo drama. Não vou conseguir ser precisa na explicação. Só quem já passou (ou está passando) pelo mesmo momento que eu sabe das dificuldades que é preciso enfrentar. Como chegar até as empresas alegando que é estudante, que vai precisar de esclarecimentos a respeito de informações organizacionais que, na maioria das vezes, são secretas? Mesmo estando do lado desfavorecido, consigo entender que as corporações não poderiam nos receber com um tapete vermelho e uma coroa de louros. Afinal, chegamos até eles portando, apenas, a esperança, e inquirindo descaradamente sobre dados confidenciais! Como eu esperava ser recebida?
Sinceramente, eu esperava apenas ser atendida. Perceber um pouco de interesse ou de atenção. Mas, na minha empreitada, não obtive nada disso. Aliás, me senti humilhada como poucas vezes na vida. Além de humilhação, o que mais me restava sentir, sabendo que nenhuma daquelas pessoas, do outro lado da linha ou da tela, se incomodava com o meu desespero, a minha súplica, o meu trabalho inteiro por realizar, o meu ano letivo em vias de ser desperdiçado?
E, em todas as vezes, eu fiz o que me restava. Desliguei o telefone, fechei o email, fechei o quarto e chorei, desesperada, com a certeza de que eu não tinha quase ninguém com quem contar e que os meus professores não tinham nada a ver com isso. Eu tinha prazos e era meu dever cumpri-los. Mas, como? Eu não tinha apoio nenhum e sequer enxergava mais a salvação.
Que apareceu, aliás. Quer dizer, pelo menos é o que parece, e Deus permita que eu não esteja enganada desta vez.
Falo assim porque conheço que não sou mais a mesma pessoa depois dessas investidas. Minha mãe sempre diz que eu levo tudo a sério demais, que eu me desgasto demais, me preocupo e sofro demais. Tudo isso é verdade. Aprendi nos últimos tempos que os pais sempre têm razão. Enfim, quando a dor é muita, minha visão se altera. No auge da aflição, eu tenho a certeza de que nunca mais o mundo será o mesmo. O sofrimento fica pra sempre em mim, é uma lente que condiciona o que está ao meu redor.
Muitos vão dizer que é só um trabalho, que, em último (e inimaginável) caso, eu seria reprovada e teria que fazer tudo de novo, só isso. Eu também gostaria de pensar assim. Mas não consigo. Este PREX vale a minha formatura, no final do ano. Vale a conclusão de uma etapa fundamental da minha vida, vale a certeza de que eu aprendi o que devia aprender nos anos anteriores e que eu sou, sim, capaz de colocar em prática todos os conceitos que absorvi em todas essas aulas. Não vai ser agora que eu vou frustrar tanto a mim mesma e aos meus.
Sei que esse trabalho não vai se definir à custa das minhas lágrimas. Elas são só um desabafo, um dos poucos que eu tenho. Não possuindo minha mãe e meu pai aqui, relegada aos cuidados de uma família que eu evito preocupar, não contei a ninguém sobre esse meu problema. Além do mais, eu não deixo que ninguém veja as minhas fraquezas. Mas, na realidade, eu estou morrendo de medo. Como nunca senti nesses quase vinte anos de vida.
Essa é a razão deste Blog. Se você tiver paciência, visite. Dê-me a honra. Antecipo que eu não vou ensinar como elaborar uma Campanha, mas, com sorte, posso confortar um pouco aqueles que também choram, praguejam, passam noites insones, desesperam da vida e pensam que tudo vai se perder. Eu também sou assim. Não ofereço garantias de que as coisas vão dar certo. Mas, com o Diário de um PREX, afirmo para todos (sobretudo para mim mesma) que a vida continua. E, há três ou quatro dias, eu achava que não.
Até a próxima postagem.