"Hello, Darkness, My Old Friend".
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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quase.

É um Blog destinado a tratar só de um assunto: o PREX (juro que nunca mais vou querer ouvir o som desta quatro letras quando terminar esta tarefa). Mesmo assim, eu nunca mais falei do trabalho propriamente dito. Logo, vocês podem concluir que eu estou mais tranquila.

- Mais tranquila?

(Hesito; gaguejo):

- É, quase.

Para ser franca, esta semana foi uma das mais sossegadas, desde o início das atividades relacionadas ao Projeto. Sei que podia adiantar o quanto possível algumas etapas, ler algumas matérias relacionadas ao assunto, enfim. Mas, entendam: EU PRECISO SABOREAR A TRANQUILIDADE! Nem imaginava que ainda fosse capaz de ter essa sensação.

Aproveitei esses últimos sete dias para ler Tieta do Agreste - Pastora de Cabras. Fiquei muito triste. Santana do Agreste (cidadezinha do litoral baiano onde é passada a narrativa) me relembrou a beleza incomparável da vida no interior nordestino. Beleza que eu não vou tentar descrever por um só motivo: tal descrição é impossível, ninguém pode se atrever a falar sobre este assunto através de simples artigo, é sandice.
Mas, se quiser saber, pegue suas tralhas e corra pra lá, saberá qual é o nó que subjuga língua e pensamento e impede a descrição precisa dos aspectos daquela terra.

(Sim, sim, sou uma provinciana e disso muito me orgulho).

Pois é, esta semana eu me empenhei para ficar despreocupada - esforço que, naturalmente, já descaracteriza a minha suposta tranquilidade.
Nem as provas atrapalharam minha beatitude. Nunca estudei para nenhuma prova e não foi desta vez que violei esta regra que sigo cegamente, é uma das poucas.
Mas, ao menos, resolvi dezenas de palavras cruzadas, fui ao cinema, dei muita risada com tia Ângela e com Ricardo, comecei a leitura do primeiro tomo de "Os Irmãos Karamázov" e acordei tarde todos os dias.
Por falar nisso:

Trrrrm, trrrrmm, trrrrrrrrmmm... "slip inside the eye of your mind"...

Acordo devagar, estava tão bom o meu sonho! Que, na certa, era com alguma gulodice - emagrecer é terrível. Atendo:

- Ooooi, Pai!
(disfarço, mas sei que ele vai perceber a voz de sono).

- Faaaala, Nega! Dormindo?

Mesmo com todos esses quilômetros de distância, sinto o ar de gozação dele. São quase dez horas da manhã. Fico com vergonha de confessar minha vagabundagem e respondo, reticente:

- Ééé, mais ou menos.

- Nega safada!
(assim disse Pai, e deu sua risada irresistível).



É, "amanhã é outro dia!", já falava o açougueiro (coincidência?) de um livro delicioso do Domingos Pellegrini.
E eu concordo.



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cliente ou Clientes?

Ontem, mais uma vez, peguei a coragem que eu tinha e fui conversar com meu Coordenador. "Sem chorar, sem chorar", dizia a voz na minha cabeça. Não chorei.
Expliquei para ele a nossa situação - a resposta tardia de um cliente muito desejado. E resposta muito positiva, aliás. Já falei sobre isso em um artigo anterior. Enquanto eu falava, comecei a pensar em mais um artigo para o Blog, na terapia que o próprio coordenador me sugeriu (e que, desgraçadamente, ainda não comecei), no que iria acontecer no próximo capítulo de Tieta do Agreste, Pastora de Cabras, no meu material que eu tinha esquecido na agência, na conversa que eu teria com o sujeito da Unilever, enfim. Em milhões de coisas. Estava com medo da resposta do Coordenador e comecei a me enganar que eu estava muito distante dali.
Ele entendeu perfeitamente. Mesmo já tendo me preparado, me deu vontade de chorar de novo. De alegria. Depois de sofrer tanto, me sentir tão pequena e despreparada, parece que as coisas começaram a dar certo. As pessoas me entendem, os acasos me favorecem. Talvez seja (e deve ser) uma compensação pelo meu vale de lágrimas de há dias atrás.
"Vocês nem devem descartar o outro cliente agora. Poderiam continuar trabalhando com os dois", ele disse, e meu coração se acelerou. Depois de tanto desespero, dois clientes. Dois. Por isso, se alguém por aí está se sentindo perdido, repense. "Faça sua parte e confie", era o que todos me diziam quando eu arrancava metade do cabelo e roía as unhas até o tronco e chorava até ficar com dor de cabeça, e eu achava que eles só diziam aquilo por que estavam de fora, não entendiam meu sofrimento.
Agora, continuo achando que eles não entendiam meu sofrimento. Mas o conselho que me davam era o único possível. A vida sempre tem uma surpresa, escancare portas e janelas e verá.